
O
filme “Eu, Tu, Eles” (Andrucha Waddington, Brasil, 2000) é baseado na
história real de uma mulher que viveu com três “maridos” no sertão
nordestino. O filme foi bastante aclamado pela crítica brasileira. Só
para exemplificar, recebeu do site Terra a seguinte manchete: “Eu, Tu, Eles ou uma mulher com três maridos num país machista”.
postagem nova
Nada
a estranhar, uma vez que a nossa mídia ‘feminista’ está na onda de nos
empurrar goela abaixo a “mulher brasileira guerreira que não desiste
nunca”. Note-se que a película é vendida como uma história fantástica de
uma mulher que venceu o preconceito e conquistou – mais do que a
igualdade – a superioridade sobre o homem, uma vez que vive com três
debaixo do mesmo teto.
O grande problema, ao meu ver, é que confundem os méritos da “heroína” como trabalhadora com a sua promiscuidade.
O que quero dizer é que, ao invés de ela ser exaltada por ser uma
grande trabalhadora, contra todas as adversidades, se louva o fato de
ela possuir e dominar três comedores. Pois bem, meu ponto de vista é um
pouco diferente. Segue abaixo a sinopse comentada do filme:
A história começa com uma moça grávida, chamada Darlene (Regina Casé),
solteira, que recebe uma proposta de casamento de um vizinho, Osías
(Lima Duarte). Logo após casarem-se, fica claro que Osías – mais velho
do que a mulher – juntou-se a ela por pura conveniência. Enquanto
Darlene faz todo o trabalho de casa e ainda trabalha fora, nos
canaviais, Osías passa os dias deitado na rede, ouvindo rádio de pilha e
outras futilidades, achando que o fato de possuir a casa e oferecer um
teto a Darlene já é mais do que o suficiente.
Enquanto
ainda vivem só os dois debaixo daquele teto, Darlene engravida
novamente e... surpresa: nasce uma criança negra! Para os mais
desavisados, nem o pai e nem a mãe são negros. Não perca a contagem: por
enquanto, Darlene é mãe de 2 crianças (nenhuma de seu marido). Osías
ameaça protestar pelo fato de o filho ter nascido negro, mas sem muito
ânimo desiste, pois não quer perder a mão de obra gratuita – seu real
interesse na relação. Interessante é a justificativa de Darlene: “ele
nasceu pretinho porque fez muita força no parto.”
A
história segue e mostra que, quando vão para os bailes na vila dançar
forró, Darlene sempre deixa o marido sentado em uma mesa tomando cachaça
e dá mole para todos os machos do recinto. Osías finge que não vê nada.
É aí que começa a entrar na história o primo de Osías, Zezinho (Stênio
Garcia). Darlene insinua-se para ele no baile, o convida para dançar e
se divertem bastante. Algum tempo depois, Osías leva o primo Zezinho
para morar com ele e Darlene. Enquanto Osías segue fazendo nada o dia
inteiro, Zezinho torna-se o cozinheiro da casa e ajuda a criar os
meninos, e Darlene segue trabalhando pesado, trazendo o dinheiro para
dentro de casa. Não demora muito para Zezinho começar a meter um belo
par de chifres no primo que, como de costume, faz vista grossa para
tudo, para não perder seu conforto (mulher e primo trabalhando para
ele). Zezinho, sob o pretexto de levar almoço para Darlene no canavial,
engata um romance clandestinamente com ela.
Aqui,
cumpre referir que Zezinho se apaixona por Darlene. Nota-se que ele
está apegado e feliz por estar comendo a mulher do primo que vive sob o
mesmo teto. Nada abala sua alegria, uma vez que, na comparação entre os
dois, Zezinho sente-se superior a Osías perante a fêmea. Osías não
demonstra interesse nenhum em “cumprir com seu dever conjugal”, e cabe a
Zezinho saciar a libido (incontrolável) de Darlene.
Nem
preciso dizer que Darlene engravida de novo – mais uma vez, de outro
homem que não seu marido. A estas todas, Osías e todos os outros fingem
acreditar que os três filhos são dele – apesar de serem multicoloridos
A
felicidade de Zezinho começa a ruir quando Darlene passa a assediar um
“colega de trabalho”, Ciro (Luiz Carlos Vasconcelos). Deixemos claro que
Ciro é um rapaz mais jovem e atraente do que os dois velhos que vivem
com Darlene. Por uma dessas coisas do destino, Darlene convida Ciro para
ficar uns tempos morando com eles, e Osías aceita de bom grado – até
porque o rapaz traz mantimentos para casa, o que satisfaz o anfitrião.
Zezinho começa a morder-se de ciúmes e a exigir que o primo expulse de
casa o novo inquilino. Osías não só diz que o rapaz fica na casa, como
obriga Zezinho a fazer e levar almoço para Ciro também. Numa dessas,
Osías pega Darlene no “ato” com Ciro, no meio dos canaviais. Zezinho,
que está apaixonado e totalmente apegado a Darlene, destrata o rapaz e
faz de tudo para ele sair, mas Osías não permite que Ciro vá embora –
pois recebe dele provisões para o lar.
Neste
novo cenário, Darlene começa a dedicar mais atenção a Ciro – o cara
mais destacado do grupo –, mas mantém Zezinho sob controle, oferecendo
algumas migalhas de sexo uma vez ou outra. Isso faz a chama da paixão de
Zezinho acender novamente e ele aceita o novo quadro, sendo o “amante
corno” da relação. De corno brabo, vai se tornando corno manso, muito
devido à grande habilidade de Darlene em conduzir o macharedo. Pois bem,
Darlene engravida de Ciro.
Aqui vem a chave de ouro do filme: com Darlene grávida, Ciro a convida
para fugirem os dois e “viverem felizes para sempre”. Darlene, usando de
todo o seu ardil, pede para Zezinho convencer Osías a construir um
quarto para Ciro - seu comedor titular - na casa. Caso contrário, diz
ela, vai fugir com Ciro. Incrivelmente, Zezinho convence Osías e os dois
constroem juntos o “puxadinho” para Ciro ficar na casa morando com
eles. Nasce a quarta criança e Osías registra os quatro de uma vez,
todos como seus filhos – apesar de nenhum sê-lo. Darlene fica morando na
casa com os três maridos e os quatro filhos. Fim.
Moral da história:
- Osías (Lima Duarte) aceita ser corno e finge não ver/saber de
nada, pois seu interesse maior é ter quem trabalhe para ele;
- Zezinho (Stênio Garcia) é o amante corno apaixonado que
revolta-se primeiro, mas com o tempo aceita a situação, pois sabe que
não tem cacife para competir com alguém mais destacado, e que o melhor
que pode conseguir são as migalhas de Darlene que sobram da relação com
Ciro;
- Ciro (Luiz Carlos Vasconcelos) é o “cafajeste”, que consegue
casa, comida, roupa lavada e uma mulher para trepar quando bem entender –
tudo de graça. Até trabalha para ajudar no sustento da casa, mas os
bônus que recebe são muito maiores do que os ônus que sofre;
- Darlene (Regina Casé) é uma p*t@ sem precedentes que não
respeita o marido, dá pra todo mundo, tem um filho de cada pai e ainda
controla os homens ao seu redor.
Termino o texto com a seguinte indagação: É essa a “brasileira guerreira” que deve servir de exemplo para as nossas mulheres?
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